quinta-feira, 30 de setembro de 2010

O Presidente Oniscente

Daniel Bramatti - O Estado de S.Paulo
O presidente da Associação Nacional dos Editores de Revistas (Aner), Roberto Muylaert, disse ver com "extrema preocupação" as críticas feitas à imprensa pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no sábado, durante comício em Campinas.
"Vemos isso como um prelúdio, uma amostra do que pode acontecer no próximo governo em termos de liberdades democráticas, já que a liberdade de imprensa é a grande garantia de todas as demais", disse Muylaert, referindo-se a um eventual governo de Dilma Rousseff (PT).
No sábado, em evento de campanha de Dilma, Lula disse que alguns jornais e revistas se comportam como partido político. "Outra vez nós vamos derrotar nossos adversários tucanos, vamos derrotar alguns jornais e revistas que se comportam como se fossem um partido político", declarou.
Para o dirigente da Aner, as manifestações de Lula vão além dos "excessos de toda natureza" que são esperados em uma corrida eleitoral. "Aparentemente, a popularidade crescente do presidente da República está fazendo com que ele perca qualquer tipo de autocensura."
O ataque do presidente coincidiu com um uma série de reportagens a respeito de tráfico de influência e irregularidades praticadas por funcionários ligados à Casa Civil. "Existe uma revista que não lembro o nome dela (sic). Ela destila ódio e mentira", afirmou Lula, em referência indireta à revista Veja.
No discurso, o presidente afirmou ainda que "eles não se conformam" com o suposto fato de que "o pobre não aceita mais o tal do formador de opinião pública". "Nós somos a opinião pública e nós mesmos nos formamos."
A Aner se uniu a outras entidades que já haviam criticado as manifestações de Lula no fim de semana.
O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ophir Cavalcanti, definiu a atitude como "um desserviço à Constituição e ao Brasil".

Em nota, a Associação Nacional dos Jornais (ANJ) considerou "lamentável e preocupante que o presidente da República se aproxime do final de seu segundo mandato manifestando desconhecimento em relação ao papel da imprensa nas sociedades democráticas".

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A indignação vista acima é contra a manifestação pública que aconteceu na quinta feira (23) em SP contra a mídia livre.

Lula, o presidente onisciente, acusa a mídia de praticar "golpismo midiático" e convocou o povo as ruas.

Você me pergunta, então, que tipo de povo iria a um ato contra a imprensa livre?

Eu respondo. Não sou eu, não é você, não são as pessoas que acreditam na liberdade, na democrácia e, principalmente, na Constituição Brasileira. Não são pessoas que divergem com respeito às idéias opostas. Então quem são?, você insite.

E eu respondo mais claramente. São membros de órgãos respeitáveis e desvinculados ao governo [sic] como a CUT, o MST, a CTB, a CGTB, a UNE, o PC do B, o próprio PT e outros membros do 'polvo', digo, do povo. Povo teleguiado pelo Lula.

Vivemos tempos perigosos. A restrição a imprensa, em um governo tirano, é sempre a primeira medida, não só pela oposição em si, mas pela divulgação de atos que precisam permanecer na obscuridade.

É preciso observar que as notícias da mídia são verdadeiras e amplamente comprovadas, provadas. E, ainda que não fossem, a mídia não pode ser boicotada sob nenhuma circunstância, ainda que narre fatos inverídicos e caluniosos (o que não é o caso, ressalte-se), pois aqueles que se virem prejudicados ou caluniados possuem meios de obter reparação na Justiça. Além disso, a maior punição para este tipo de imprensa seria o descrédito absoluto, pois as mentiras, cedo ou tarde, seriam reveladas havendo perda de público e prejuízos que levariam este tipo de imprensa ao "fechamento das portas". O que não podemos aceitar é o fechamento e cerceamento compulsório destas portas, pois elas são os únicos meios de relevação e ficalização deste governo que diarimente esta envolvido em corrupção, nepotismo e que revela, à luz da ribalta, uma vertente facista.  


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