Veja entrevista do Gilberto Carvalho, chefe de gabinete do Lula. Não vou fugir não. Volto em vermelho depois da entrevista...
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FOLHA - O QUE O SR. ACHOU DO PANFLETO DE UM BRAÇO DA CNBB, QUE ASSOCIA DILMA À DEFESA DO ABORTO?
GILBERTO CARVALHO - Não é uma vontade da igreja. A CNBB já reafirmou que não tem posição na atual campanha e que quem fala pela CNBB é só seu comando. Não tenho dúvida de que o campo adversário utilizou-se de um documento produzido por um braço da entidade e o distribuiu com fins eleitorais.
COMO VÊ ESSE DOCUMENTO?
Acho um absurdo, cheio de mentiras. Ele não olha a condição da realidade brasileira, se presta a uso eleitoral do mais baixo nível.
MAS A DILMA DEFENDEU, ANTES DA ELEIÇÃO, A DESCRIMINALIZAÇÃO. AGORA, ELA SE DIZ CONTRA.
É um processo de evolução dela nessa questão.
NÃO HÁ UMA CONTRADIÇÃO?
Não vejo contradição, mas evolução do pensamento. Ela, vendo a realidade do país, toma essa atitude...
NÃO SERIA BOM ELA DIZER ISSO?
O que importa é a afirmação agora. Essa é a posição. Não adianta: quando há má-fé, por mais que a pessoa diga, o boato segue se espalhando. Estamos preocupados, mas não faremos disso o centro da campanha.
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A descriminalização do aborto é um tema muito importante e não pode fugir da pauta como pretende oportunamente o PT. Legalizar o aborto, indiscriminadamente, equivale ao Estado permitir que uma gestante disponha livremente do direito à vida de seu feto.
Com a descriminalização uma mulher pode, por exemplo, ir a um hospital após oito meses de gestação e pedir que lhe faça um aborto simplesmente porque trocou de namorado, por exemplo. Significa, ainda exemplificativamente, que esta mesma mulher pode alguns meses depois retornar ao hospital para retirar uma outra criança, por outro motivo banal qualquer ou simplesmente por não querer ter o filho.
Descriminalizar o aborto não é - como argumentam alguns - impedir que algumas mulheres morram em abortos clandestinos é, ao contrário, permitir que crianças morram em abortos legais!
E mais, descriminalizar o aborto significa dizer que o Estado outorgou a mulher gestante o direito de dispor livremente da vida de seu filho. Como Deus, esta mulher poderia (sem qualquer punição legal e com a anuência do Estado) retirar o filho do seu ventre escolhendo a sua morte ao invés de sua vida.
Ora, a obrigação do Estado não é abortar em condições seguras para as mães. A obrigação do Estado é salvaguardar a vida, especialmente daqueles que não possuem meios de lutar com meios próprios por ela.
A obrigação do estado é acautelar as vidas dos cidadões e, além disso, oferecer condições dignas para que uma mulher não se sinta compelida a abortar por não ter condição de criar um filho malquisto.
Descriminalizar o aborto talvez signifique salvar muitas mulheres da morte em abortos clandestinos, mas em detrimento de milhões de vidas de crianças que seriam mortas, sem escolha, sem proteção da mãe e do Estado.
Imperioso descortinar que a maior função do Estado é justamente garantir os direitos das pessoas.
E o maior direito do ser humano é a vida.
Por isso, se o Estado faculta a uma mulher dispor da forma que melhor lhe aprouver da vida de seu filho, permitindo inclusive que esta mãe possa matar seu filho (enquanto ainda estiver em seu ventre), o Estado falha em sua premissa mais básica. O Estado, então, falha ao permitir que qualquer mulher - injustificadamente e de forma indistinta - possa matar seu filho.
Com a descriminalização do aborto, pretendida pela candidata Dilma, corre-se ainda o sério risco de, em um país como o nosso, as mulheres passarem a usar o aborto como método contraceptivo, já que podem simplesmente ir a rede pública determinar que lhe seja arrancado o filho de seu ventre, condenando-o a morte.
Isso é tão óbvio que é até difícil argumentar diante da obviedade da imoralidade da proposta. Descriminalizar o aborto é anuir com a morte de milhares de crianças. Fazê-lo é entregar na mão da mulher o direito de matar ou não matar seu filho.
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