Principais Impressões do Debate entre os Presidenciáveis na Band.
Ontem o debate da Band foi realizado entre os dois candidatos a presidente do Brasil. Para muitos este debate é o marco inaugural do segundo turno das eleições, pois é onde os dois principais candidatos colocam frente a frente suas idéias.
Ainda não havia comentado sobre nenhum debate aqui no blog, mas esse foi até aqui o mais interessante dessas eleições (vi todos os debates do primeiro turno, tanto para presidente como para governador do RJ). No geral, uma impressão me saltou aos olhos neste debate já que foi possível vislumbrar uma característica na Dilma que até então ela vinha convenientemente retraindo.
Logo no primeiro bloco do debate, na primeira oportunidade que teve, Dilma elevou o tom de seu discurso partindo para uma ofensiva e agressiva investida contra o candidato Serra.
Dilma falou, gesticulou, esbravejou e, num panorama geral, após o fim do debate, deixou a forte impressão de que esteve o tempo todo aos berros enquanto o candidato Serra manteve a serenidade. Dilma demonstrou um inconformismo decorado, visivelmente ensaiado. Parece-me até mesmo que ela assumiu a postura agressiva antes mesmo do que previam os marqueterios, contrariando o que estava ensaiado. Dentro de um discurso prolixo e quase sempre muitíssimo desordenado e mal concatenado - sem começo, meio e fim - Dilma demonstrou logo no começo do debate uma revolta desproporcional e disse ser vítima de ataques (mesmo tendo sido ela mesma a tomar a iniciativa ofensiva sem que lhe houvessem sido feito nenhum agravo).
Dilma, não me venha com churumelas.
Dilma não pode se declarar vítima em razão de lhe ser cobrada uma explicação definitiva sobre uma posição a respeito de um tema importante. Não é aceitável que sua opinião que se comporte como um elástico que se estica de acordo com a conveniência eleitoreira.
Refiro-me ao fato de Dilma ter se declarado a favor da legalização do aborto (aqui – para aqueles que ainda duvidam da posição dúbia) e, após perceber que perdeu apoio de grande parte do eleitorado, declarou ser contra. Hoje evita o tema e com isso deixa questões sem respostas e não é possível dizer se a candidata mentiu ou mudou de idéia? Se mudou de idéia, quais foram as razões de sua repentina mudança? Por que a revolta quando confrontada com o tema? Seria por que sua mudança de lado/mentira está deflagrada? Será que a candidata acha que o tema é irrelevante? Ou acharia que sua posição clara não diz respeito aos eleitores?
Tenho a impressão que o PT resolveu assumir sua verdadeira face que é a de adoção de uma postura mais ofensiva. Essa postura, creio, deve-se a divulgação feita ontem da pesquisa do Datafolha que aponta Dilma com 48% das intenções de voto e Serra com 41%.
Comentários dos candidatos após o debate.
Ao ser questionada se seria uma nova estratégia o tom combativo assumido durante o debate, Dilma disse que não é uma nova estratégia e sim um novo momento. Francamente, para mim nada mais é do que a queda de uma máscara e a revelação de uma antiga personalidade que havia, até então, sido dissimuladamente sonegada para não amedrontar o eleitor.
O cão foi solto da coleira. As lebres que se escondam. O cão está raivoso e autorizado a morder quem aparecer na frente.
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